A família tem um papel muito importante, tanto para prevenir o uso
de drogas quanto para dar suporte quando o uso já acontece. Porém, nem sempre
os familiares sabem o que fazer e como podem ajudar. Tal ambiente cria em nós
um sentimento chamado: “ansiedade”, “culpa”, “insegurança” e “medo”.
Calma! Quero propor inicialmente uma orientação que vem dAquele
que nos criou e fez para a sua glória (cf. Is 43:7), que consiste em:
1. Entregar a sua ansiedade reconhecendo que você, por si só não
pode com o problema:
Quem de
vocês, por mais que se preocupe, pode acrescentar uma hora que seja à sua vida? Mateus 6:27
Não andem
ansiosos por coisa alguma, mas em tudo, pela oração e súplicas, e com ação de
graças, apresentem seus pedidos a Deus. Filipenses 4:6.
2. Buscar a sabedoria nAquele que sabe todas as coisas:
Se algum de
vocês tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá livremente, de boa
vontade; e lhe será concedida. Peça-a, porém, com fé, sem duvidar, pois aquele
que duvida é semelhante à onda do mar, levada e agitada pelo vento. Tiago 1:5-6
I. Minha
família, um problema!?
Toda família se estrutura, constrói sua história, enfrenta crises,
conflitos e se desenvolve conforme suas condições financeiras, sociais e
pessoais. Também sofre influência externas, de acordo com os recursos e os
riscos existentes na sua comunidade. É nesse processo que cada indivíduo
pertencente a uma família aprende a viver e a se relacionar com o mundo.
Não existe família perfeita! Existem vários exemplos de famílias
com os mais diversos problemas na Bíblia. Entretanto, Deus que abençoar todas
as famílias:
Prevendo a
Escritura que Deus justificaria pela fé os gentios, anunciou primeiro as boas
novas a Abraão: "Por meio de você todas as nações (famílias – cf. Gn 12:3)
serão abençoadas". Gálatas 3:8.
Você conhece a sua família?
1. Quem faz parte da sua família?
2. Quais as características comuns entre as pessoas de sua
família? (Jeito, gosto, etc)
3. O que cada um mais gosta na família?
4. O que cada um gostaria que fosse diferente na convivência
familiar?
5. Com quais pessoas ou instituições sua família pode contar
quando precisa?
Mas como a
família pode se fortalecer para enfrentar os desafios?
É preciso
entender que nós nunca estamos sós, pois existem pessoas e recursos
disponíveis para auxiliar-nos nos mais diversos problemas ou necessidades.
Não os
deixarei órfãos; voltarei para vocês. João 14:18
Bendito seja
o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, Pai das misericórdias e Deus de toda
consolação, que nos consola em todas as nossas tribulações, para que, com a
consolação que recebemos de Deus, possamos consolar os que estão passando por
tribulações. 2 Coríntios 1:3-4.
II. O que é
ser pai e mãe?
Quem aqui nunca teve dificuldade de decidir entre dizer sim ou não
para um pedido de um filho?
Quem nunca teve dúvida sobre se tomou a decisão correta em relação
aos filhos?
É preciso reconhecer que não existe escola que nos ensine a sermos
pais e mães ou responsáveis por alguém. Entretanto podemos encontrar na Palavra
de Deus um manual que nos ajude com a apresentação de princípios que poderão
ser usados como orientação para nossa própria família e educação dos filhos.
Toda a
Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a
correção e para a instrução na justiça, 2 Timóteo 3:16
Portanto a Bíblia é um grande recurso e fonte de sabedoria para
nos ajudar na educação dos nossos filhos e nos demais relacionamentos
familiares.
Quero apresentar algumas dicas quanto ao relacionamento entre pais
e filhos:
1. Compreenda
que seu papel na vida do seu filho é importante! Não passe a responsabilidade a
outros.
Os filhos
são herança do Senhor, uma recompensa que ele dá. Salmos
127:3
2. Estabeleça
limites, regras claras e coerentes (área de liberdade e atuação dos filhos).
Não removas
os limites antigos que teus pais fixaram. Provérbios 22:28
3. As experiências
e as dificuldades vividas por você geram conhecimento e habilidades para lidar
com as várias situações que surgem na vida.
Ouve o
conselho, e recebe a correção, para que sejas sábio nos teus últimos dias. Provérbios
19:20
4. O afeto e a
confiança na família são verdadeiros aliados para que os limites possam ser
colocados.
O amigo ama
em todo o tempo; e para a angústia nasce o irmão. Provérbios
17:17.
5. Educar é
também saber dizer “NÂO” na hora certa, explicando as razões da negativa.
Dar resposta
apropriada é motivo de alegria; e como é bom um conselho na hora certa! Provérbios
15:23.
6. Cuidado com
o excesso de proteção (superproteção) ou proteção de menos (negligência).
O amor não
faz mal ao próximo. Romanos 13:10a.
7. Reconheça
aquilo que os filhos fazem de bom, pois fortalece a autoestima deles.
Dêem a cada
um o que lhe é devido: Se imposto, imposto; se tributo, tributo; se temor,
temor; se honra, honra. Romanos 13:7
8. Evite
comparações!
O filho não
levará a culpa do pai, nem o pai levará a culpa do filho. A justiça do justo
lhe será creditada, e a impiedade do ímpio lhe será cobrada. Ezequiel
18:20b
9. Procure informar-se sobre o que ocorre com o corpo e a mente em
cada fase de desenvolvimento de seu filho.
Porque, como
ele pensa consigo mesmo, assim é. Provérbios 23:7a.
III. O que
fazer diante das drogas?
É comum os pais terem essa preocupação. E eles com certeza têm
motivos para dar uma atenção especial a este assunto quando os filhos são
adolescentes e jovens, ou que já estejam envolvidos quanto ao uso.
Mas a grande questão é: o que fazer diante das drogas?
A prevenção começa em nosso lar, ainda na infância, com questões
aparentemente mais simples do dia a dia. A valorização de hábitos saudáveis na
família é um bom começo.
O ideal é pensar sobre prevenção desde a infância, MAS NUNCA É
TARDE DEMAIS. É possível modificar sentimentos e comportamentos em qualquer
fase da vida.
Portanto precisa-se...
1.
Compreender e inteirar-se sobre o assunto.
Droga é qualquer substância não produzida pelo organismo e que
altera o funcionamento normal do corpo. Algumas delas podem modificar a maneira
como a pessoa percebe as coisas, seu modo de pensar, sentir e se comportar.
Muitas dessas substâncias provocam dependência e são chamadas de
“psicotrópicas”.
Existem na verdade dois tipos de drogas:
a. Drogas
lícitas; ou seja, permitidas para maiores de 18 anos.
Estatisticamente falando, as drogas mais consumidas por adultos e
adolescentes no Brasil são as drogas legalizadas, tais como o álcool e o
tabaco. Estas duas substâncias estão presentes na rotina de nossa sociedade e
acabamos por acreditar que elas não são drogas. Seu uso é estimulado dentro de
nossos lares, quer de forma cotidiana ou em momentos de festas e comemorações.
Existem ainda outras drogas que não parecem drogas, mas são! São
substâncias utilizadas para diversas finalidades: limpeza, tratamento médico,
estética, etc. Tais como: solventes e inalantes, calmantes, medicamentos para
emagrecer (ribite, bolinha) e anabolizantes (bombas para o físico).
b. Drogas
ilícitas, ou seja, aquelas que são consideradas ilegais.
Neste grupo estão a maconha, cocaína, crack, êxtase, etc...
2.
Identificar a relação entre a droga e o usuário.
Os especialistas do SENAD apresentam que a pessoa que usa drogas
pode se encaixar em uma de três alternativas de uso, segundo os agentes de
saúde: a que faz uso, a que abusa e o que é dependente. A diferença está, segundo o ministério da saúde, no
número de vezes que a pessoa usa determinada droga, a quantidade usada, o tipo
de droga, as características pessoais, de situação e contexto em que usa.
O uso ocasional de alguma droga pode ocorrer uma única vez ao
longo da vida ou ficar restrito a situações casuais, eventuais, como uma festa
ou celebração, sem causar maiores prejuízos. Mas mesmo um único uso pode trazer
problemas.
O limite entre o uso e o abuso não é tão fácil de definir.
Normalmente se classifica como abuso quando o consumo da droga acarreta algum
problema na vida pessoal quer em relação ao físico e aos relacionamentos,
devido a mudanças de humor agressividade, dificuldades para cumprir obrigações
importantes, problemas com familiares, amigos, com a lei e até mesmo quando o
uso coloca em risco a vida do usuário.
A dependência é identificada quando a pessoa tem dificuldade de
parar ou diminuir o uso por decisão própria, apesar de querer para e de, muitas
vezes, perceber os problemas relacionados ao seu uso.
O risco de desenvolver dependência varia de uma droga para outra.
Por exemplo, o cigarro, a cocaína e o crack são drogas que apresentam grande
potencial de desenvolver dependência.
NAS FAMÍLIAS EM QUE ALGUM MEMBRO APRESENTA PROBLEMA DE DEPENDÊNCIA
DE ÁLCOOL OU OUTRAS DROGAS, HÁ MAIOR PROBABILIDADE DE OS FILHOS SE TORNAREM
DEPENDENTES TAMBÉM. VOCÊ IDENTIFICA ALGUMA SITUAÇÃO DE RISCO DESTE TIPO EM SUA
FAMÍLIA?
IV. O que
fazer para evitar as drogas?
1. Converse
com o seu filho/filha.
O diálogo é uma oportunidade de troca de informações opiniões. Os
filhos e pais normalmente veem o mundo de maneiras diferentes. Assim é
fundamental saber o que sentem e pensam.
2. Seja
próximo do seu filho/filha.
Busque saber o que se passa e o que ele faz no tempo livre, com
quem anda... procure promover um ambiente de aproximação e diálogo.
3. Use
situações do dia a dia.
No convívio do lar surgem oportunidades para que os pais conversem
sobre as tristes consequências do uso de drogas. Use noticiários e situações
corriqueiras vivenciadas.
4. Conheça o
assunto para prevenir e cuidar.
Busque informações corretas.
5. Fale sobre
as consequências imediatas.
Adolescentes e jovens vivem intensamente o momento presente,
portanto não se preocupam com o que acontecerá daqui a 10 ou 20 anos. Apresente
as consequências que podem ocorrer no dia seguinte ou mês seguinte.
6. Coloque
regras e limites claros.
Seja o seu
‘sim’, ‘sim’, e o seu ‘não’, ‘não’. Mateus 5:37
7. Fortaleça a
relação com base na confiança e afeto.
8. Estimule e
prática de esporte e artes.
Isto traz a sensação de prazer que as drogas podem oferecer.
9. Estimule a
espiritualidade. BUSQUE A DEUS!
Pesquisas realizadas em centros universitários de SP, identificaram que a "religiosidade" é um grande fator de prevenção, suporte e recuperação de dependentes químicos.
Tudo posso naquele que me fortalece. Filipenses 4:13
COISAS A SE EVITAR que causam conflitos no relacionamento:
1. Evite desconfiar ou fingir que não vê.
2. Não use drogas.
3. Evite ameaças ou amedrontamentos.
IV. O que
fazer quando as drogas estão presentes na família?
1. Não busque por culpados!
O abuso de drogas por uma pessoa de forma geral afeta as outras.
Porém, culpar-se não resolve a situação. É preciso compreender que todos tem
capacidade de escolher. Procure orientar para que o usuário faça escolhas mais
sábias.
2. Não se envergonhe: toda família tem seus problemas!
3. Assuma que o problema existe!
4. Busque ajuda!
Bibliografia:
Conversando sobre drogas com pais e responsáveis. Paulina do Carmo Duarte e Maria Lúcia Formigoni, org.. Fé na Prevenção, SENAD, Brailía, DF, 2010.
Fitzpatrick, Elyse, Cornish, Carol. Mulheres ajudando mulheres. CPAD, Rio de Janeiro, RJ, 2002.