terça-feira, 22 de novembro de 2011

Conversando sobre Drogas com Pais e Responsáveis


A família tem um papel muito importante, tanto para prevenir o uso de drogas quanto para dar suporte quando o uso já acontece. Porém, nem sempre os familiares sabem o que fazer e como podem ajudar. Tal ambiente cria em nós um sentimento chamado: “ansiedade”, “culpa”, “insegurança” e “medo”.

Calma! Quero propor inicialmente uma orientação que vem dAquele que nos criou e fez para a sua glória (cf. Is 43:7), que consiste em:

1. Entregar a sua ansiedade reconhecendo que você, por si só não pode com o problema:
Quem de vocês, por mais que se preocupe, pode acrescentar uma hora que seja à sua vida? Mateus 6:27
Não andem ansiosos por coisa alguma, mas em tudo, pela oração e súplicas, e com ação de graças, apresentem seus pedidos a Deus. Filipenses 4:6.

2. Buscar a sabedoria nAquele que sabe todas as coisas:
Se algum de vocês tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá livremente, de boa vontade; e lhe será concedida. Peça-a, porém, com fé, sem duvidar, pois aquele que duvida é semelhante à onda do mar, levada e agitada pelo vento. Tiago 1:5-6

I. Minha família, um problema!?
Toda família se estrutura, constrói sua história, enfrenta crises, conflitos e se desenvolve conforme suas condições financeiras, sociais e pessoais. Também sofre influência externas, de acordo com os recursos e os riscos existentes na sua comunidade. É nesse processo que cada indivíduo pertencente a uma família aprende a viver e a se relacionar com o mundo.
Não existe família perfeita! Existem vários exemplos de famílias com os mais diversos problemas na Bíblia. Entretanto, Deus que abençoar todas as famílias:
Prevendo a Escritura que Deus justificaria pela fé os gentios, anunciou primeiro as boas novas a Abraão: "Por meio de você todas as nações (famílias – cf. Gn 12:3) serão abençoadas". Gálatas 3:8.

Você conhece a sua família?
1. Quem faz parte da sua família?
2. Quais as características comuns entre as pessoas de sua família? (Jeito, gosto, etc)
3. O que cada um mais gosta na família?
4. O que cada um gostaria que fosse diferente na convivência familiar?
5. Com quais pessoas ou instituições sua família pode contar quando precisa?
Mas como a família pode se fortalecer para enfrentar os desafios?
É preciso entender que nós nunca estamos sós, pois existem pessoas e recursos disponíveis para auxiliar-nos nos mais diversos problemas ou necessidades.
Não os deixarei órfãos; voltarei para vocês. João 14:18
Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, Pai das misericórdias e Deus de toda consolação, que nos consola em todas as nossas tribulações, para que, com a consolação que recebemos de Deus, possamos consolar os que estão passando por tribulações. 2 Coríntios 1:3-4.
II. O que é ser pai e mãe?
Quem aqui nunca teve dificuldade de decidir entre dizer sim ou não para um pedido de um filho?
Quem nunca teve dúvida sobre se tomou a decisão correta em relação aos filhos?
É preciso reconhecer que não existe escola que nos ensine a sermos pais e mães ou responsáveis por alguém. Entretanto podemos encontrar na Palavra de Deus um manual que nos ajude com a apresentação de princípios que poderão ser usados como orientação para nossa própria família e educação dos filhos.
Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção e para a instrução na justiça, 2 Timóteo 3:16
Portanto a Bíblia é um grande recurso e fonte de sabedoria para nos ajudar na educação dos nossos filhos e nos demais relacionamentos familiares.
Quero apresentar algumas dicas quanto ao relacionamento entre pais e filhos:

1. Compreenda que seu papel na vida do seu filho é importante! Não passe a responsabilidade a outros.
Os filhos são herança do Senhor, uma recompensa que ele dá. Salmos 127:3

2. Estabeleça limites, regras claras e coerentes (área de liberdade e atuação dos filhos).
Não removas os limites antigos que teus pais fixaram. Provérbios 22:28

3. As experiências e as dificuldades vividas por você geram conhecimento e habilidades para lidar com as várias situações que surgem na vida.
Ouve o conselho, e recebe a correção, para que sejas sábio nos teus últimos dias. Provérbios 19:20

4. O afeto e a confiança na família são verdadeiros aliados para que os limites possam ser colocados.
O amigo ama em todo o tempo; e para a angústia nasce o irmão. Provérbios 17:17.

5. Educar é também saber dizer “NÂO” na hora certa, explicando as razões da negativa.
Dar resposta apropriada é motivo de alegria; e como é bom um conselho na hora certa! Provérbios 15:23.

6. Cuidado com o excesso de proteção (superproteção) ou proteção de menos (negligência).
O amor não faz mal ao próximo. Romanos 13:10a.

7. Reconheça aquilo que os filhos fazem de bom, pois fortalece a autoestima deles.
Dêem a cada um o que lhe é devido: Se imposto, imposto; se tributo, tributo; se temor, temor; se honra, honra. Romanos 13:7

8. Evite comparações!
O filho não levará a culpa do pai, nem o pai levará a culpa do filho. A justiça do justo lhe será creditada, e a impiedade do ímpio lhe será cobrada. Ezequiel 18:20b

9. Procure informar-se sobre o que ocorre com o corpo e a mente em cada fase de desenvolvimento de seu filho.
Porque, como ele pensa consigo mesmo, assim é. Provérbios 23:7a.
III. O que fazer diante das drogas?
É comum os pais terem essa preocupação. E eles com certeza têm motivos para dar uma atenção especial a este assunto quando os filhos são adolescentes e jovens, ou que já estejam envolvidos quanto ao uso.
Mas a grande questão é: o que fazer diante das drogas?
A prevenção começa em nosso lar, ainda na infância, com questões aparentemente mais simples do dia a dia. A valorização de hábitos saudáveis na família é um bom começo.
O ideal é pensar sobre prevenção desde a infância, MAS NUNCA É TARDE DEMAIS. É possível modificar sentimentos e comportamentos em qualquer fase da vida.
Portanto precisa-se...
1. Compreender e inteirar-se sobre o assunto.
Droga é qualquer substância não produzida pelo organismo e que altera o funcionamento normal do corpo. Algumas delas podem modificar a maneira como a pessoa percebe as coisas, seu modo de pensar, sentir e se comportar. Muitas dessas substâncias provocam dependência e são chamadas de “psicotrópicas”.
Existem na verdade dois tipos de drogas:
a. Drogas lícitas; ou seja, permitidas para maiores de 18 anos.
Estatisticamente falando, as drogas mais consumidas por adultos e adolescentes no Brasil são as drogas legalizadas, tais como o álcool e o tabaco. Estas duas substâncias estão presentes na rotina de nossa sociedade e acabamos por acreditar que elas não são drogas. Seu uso é estimulado dentro de nossos lares, quer de forma cotidiana ou em momentos de festas e comemorações.
Existem ainda outras drogas que não parecem drogas, mas são! São substâncias utilizadas para diversas finalidades: limpeza, tratamento médico, estética, etc. Tais como: solventes e inalantes, calmantes, medicamentos para emagrecer (ribite, bolinha) e anabolizantes (bombas para o físico).
b. Drogas ilícitas, ou seja, aquelas que são consideradas ilegais.
Neste grupo estão a maconha, cocaína, crack, êxtase, etc...
2. Identificar a relação entre a droga e o usuário.
Os especialistas do SENAD apresentam que a pessoa que usa drogas pode se encaixar em uma de três alternativas de uso, segundo os agentes de saúde: a que faz uso, a que abusa e o que é dependente. A diferença está, segundo o ministério da saúde, no número de vezes que a pessoa usa determinada droga, a quantidade usada, o tipo de droga, as características pessoais, de situação e contexto em que usa.
O uso ocasional de alguma droga pode ocorrer uma única vez ao longo da vida ou ficar restrito a situações casuais, eventuais, como uma festa ou celebração, sem causar maiores prejuízos. Mas mesmo um único uso pode trazer problemas.
O limite entre o uso e o abuso não é tão fácil de definir. Normalmente se classifica como abuso quando o consumo da droga acarreta algum problema na vida pessoal quer em relação ao físico e aos relacionamentos, devido a mudanças de humor agressividade, dificuldades para cumprir obrigações importantes, problemas com familiares, amigos, com a lei e até mesmo quando o uso coloca em risco a vida do usuário.
A dependência é identificada quando a pessoa tem dificuldade de parar ou diminuir o uso por decisão própria, apesar de querer para e de, muitas vezes, perceber os problemas relacionados ao seu uso.
O risco de desenvolver dependência varia de uma droga para outra. Por exemplo, o cigarro, a cocaína e o crack são drogas que apresentam grande potencial de desenvolver dependência.
NAS FAMÍLIAS EM QUE ALGUM MEMBRO APRESENTA PROBLEMA DE DEPENDÊNCIA DE ÁLCOOL OU OUTRAS DROGAS, HÁ MAIOR PROBABILIDADE DE OS FILHOS SE TORNAREM DEPENDENTES TAMBÉM. VOCÊ IDENTIFICA ALGUMA SITUAÇÃO DE RISCO DESTE TIPO EM SUA FAMÍLIA?
IV. O que fazer para evitar as drogas?
Algumas ações concretas:

1. Converse com o seu filho/filha.
O diálogo é uma oportunidade de troca de informações opiniões. Os filhos e pais normalmente veem o mundo de maneiras diferentes. Assim é fundamental saber o que sentem e pensam.

2. Seja próximo do seu filho/filha.
Busque saber o que se passa e o que ele faz no tempo livre, com quem anda... procure promover um ambiente de aproximação e diálogo.

3. Use situações do dia a dia.
No convívio do lar surgem oportunidades para que os pais conversem sobre as tristes consequências do uso de drogas. Use noticiários e situações corriqueiras vivenciadas.

4. Conheça o assunto para prevenir e cuidar.
Busque informações corretas.

5. Fale sobre as consequências imediatas.
Adolescentes e jovens vivem intensamente o momento presente, portanto não se preocupam com o que acontecerá daqui a 10 ou 20 anos. Apresente as consequências que podem ocorrer no dia seguinte ou mês seguinte.

6. Coloque regras e limites claros.
Seja o seu ‘sim’, ‘sim’, e o seu ‘não’, ‘não’. Mateus 5:37

7. Fortaleça a relação com base na confiança e afeto.

8. Estimule e prática de esporte e artes.
Isto traz a sensação de prazer que as drogas podem oferecer.

9. Estimule a espiritualidade. BUSQUE A DEUS!
Pesquisas realizadas em centros universitários de SP, identificaram que a "religiosidade" é um grande fator de prevenção, suporte e recuperação de dependentes químicos.
Tudo posso naquele que me fortalece. Filipenses 4:13

COISAS A SE EVITAR que causam conflitos no relacionamento:

1. Evite desconfiar ou fingir que não vê.

2. Não use drogas.

3. Evite ameaças ou amedrontamentos.
IV. O que fazer quando as drogas estão presentes na família?
1. Não busque por culpados!
O abuso de drogas por uma pessoa de forma geral afeta as outras. Porém, culpar-se não resolve a situação. É preciso compreender que todos tem capacidade de escolher. Procure orientar para que o usuário faça escolhas mais sábias.

2. Não se envergonhe: toda família tem seus problemas!

3. Assuma que o problema existe!

4. Busque ajuda!


Bibliografia:
Conversando sobre drogas com pais e responsáveis. Paulina do Carmo Duarte e Maria Lúcia Formigoni, org.. Fé na Prevenção, SENAD, Brailía, DF, 2010.
Fitzpatrick, Elyse, Cornish, Carol. Mulheres ajudando mulheres. CPAD, Rio de Janeiro, RJ, 2002.

Nenhum comentário:

Postar um comentário