O discernimento da vontade de Deus é fundamental para a vida do cristão que anseia viver segundo o propósito divino. Buscá-la deve ser uma constante e certamente nos deparemos com situações como esta. Por isso, é bom entendermos alguns aspectos, principalmente quando às vezes nos cercamos de um meio neopentecostal que é muito comum nestes dias.
Primeiramente devemos entender que a vontade de Deus se discerne através da Palavra de Deus:
“Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra” (2ª Tm 3:16, 17).
Portanto a “revelação profética”, ou “a vontade de Deus manifestada” não pode entrar em desacordo com estes mesmos princípios apresentados na Palavra de Deus, pois o Senhor não é um Deus de confusão (1ª Co 14:33).
Segundo, Deus pode usar homens para apresentar os princípios da Divina vontade mediante a revelação da Palavra (cf. Hb 13:7). Às vezes estes homens são chamados de “profetas”, mas que, segundo o contexto do verso anterior (“guias”), podem ser chamados de “pastores, presbíteros, anciãos”.
Há, segundo a exposição do apóstolo Paulo (debaixo da inspiração divina), homens que usam da Palavra de Deus para direcionar o corpo de Cristo localmente, recebendo o título de “profetas”, pois estão associados ao “dom profético”. Mas veja como o Espírito de Deus nos instrui em relação a estes homens no exercício do seu ministério.
Os profetas usados por Deus primeiramente estão sujeitos aos seus próprios espíritos (cf. 1ª Co 14:32), ou seja, não se encontram em transe mediúnico. Não é assim que o Senhor age, portanto estes homens estão conscientes e controlam suas faculdades mentais e ações.
Além disso, a mensagem profética trazida por eles assume a característica de “edificação, exortação e consolação” (cf. 1ª Co 14:3). Por “edificação” o apóstolo nos remete ao contexto da igreja reunida e em atividade (cf. Ef 4:11-16), portanto tal “profecia” não assume uma forma particular, mas se faz no contexto da comunhão do povo de Deus e alcança a todos, inclusive você com sua necessidade particular. Tal orientação nos faz crescer e não nos conduzirá a nenhum prejuízo espiritual.
O apóstolo ainda emprega o termo “exortação”, cuja palavra é a mesma empregada para descrever o Espírito Santo (cf. Jo 14), portanto a profecia tem a característica de ajudar e sustentar-nos na caminhada cristã.
Por fim o apóstolo emprega o termo “consolação” cuja ideia é a de apaziguar o temor e capacitar o povo de Deus a enfrentar as situações difíceis e as necessidades de fazer as escolhas.
Diante de tais fatos podemos concluir que a vontade de Deus se estabelece nos princípios apresentados pela Palavra de Deus, sendo que o Senhor pode usar homens para nos trazer à luz tais princípios. Assim, não pode haver incoerência entre a orientação humana e os princípios da Palavra de Deus, pois ao vivê-los seremos conduzidos ao crescimento, incentivo e segurança espiritual.
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