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| O rei Ezequias |
Duas personagens bíblicas me chamaram a atenção em minha devoção: o rei Ezequias e o apóstolo Paulo. Existem semelhanças e diferenças entre eles, o que é natural visto que na multiforme sabedoria divina não existem seres iguais, nem mesmo entre os gêmeos univitelinos.
Algumas semelhanças podem ser identificadas. Primeiramente a Bíblia relata que ambos foram homens fiéis e comprometidos com o Senhor.
De Ezequias lemos:
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| Rembrandt - O Apóstolo Paulo |
“E sucedeu que, no terceiro ano de Oséias, filho de Elá, rei de Israel, começou a reinar Ezequias, filho de Acaz, rei de Judá. Tinha vinte e cinco anos de idade quando começou a reinar, e vinte e nove anos reinou em Jerusalém; e era o nome de sua mãe Abi, filha de Zacarias. E fez o que era reto aos olhos do SENHOR, conforme tudo o que fizera Davi, seu pai.
Ele tirou os altos, quebrou as estátuas, deitou abaixo os bosques, e fez em pedaços a serpente de metal que Moisés fizera; porquanto até àquele dia os filhos de Israel lhe queimavam incenso, e lhe chamaram Neustã.
No SENHOR Deus de Israel confiou, de maneira que depois dele não houve quem lhe fosse semelhante entre todos os reis de Judá, nem entre os que foram antes dele.
Porque se chegou ao SENHOR, não se apartou dele, e guardou os mandamentos que o SENHOR tinha dado a Moisés. Assim foi o SENHOR com ele; para onde quer que saía se conduzia com prudência” (2º Rs 18:1-7).
De Paulo vê-se o registro:
“Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé.
Desde agora, a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, justo juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas também a todos os que amarem a sua vinda.” (2º Tm 4:7-8).
Vê-se ainda que ambos valorizaram a Palavra de Deus. Ezequias tem o registro que “guardou os mandamentos que o Senhor tinha dado a Moisés” (2º Rs 18:6). De Paulo se tem o registro de que pautou sua vida e ministério por ela conforme declarado aos filipenses: “Retendo a palavra da vida, para que no dia de Cristo possa gloriar-me de não ter corrido nem trabalhado em vão.” (Fp 2:16)
Ambos foram orientados por Deus na realização de seus feitos.
“Assim foi o SENHOR com ele; para onde quer que saía se conduzia com prudência” (2º Rs 18:7).
“este é para mim um vaso escolhido, para levar o meu nome diante dos gentios, e dos reis e dos filhos de Israel” (At 9:15).
Mas o aspecto que mais me chamou a atenção é que ambos obtiveram um vislumbre da própria morte:
“Naqueles dias adoeceu Ezequias mortalmente; e o profeta Isaías, filho de Amós, veio a ele e lhe disse: Assim diz o SENHOR: Põe em ordem a tua casa, porque morrerás, e não viverás” (2º Rs 20:1).
“Segundo a minha intensa expectação e esperança, de que em nada serei confundido; antes, com toda a confiança, Cristo será, tanto agora como sempre, engrandecido no meu corpo, seja pela vida, seja pela morte.” (Fp 1:20).
É precisamente este último aspecto que promove a diferença entre estes dois servos do Senhor, pois Ezqueias teme a morte (“Então virou o rosto para a parede, e orou ao SENHOR, dizendo: Ah, SENHOR! Suplico-te lembrar de que andei diante de ti em verdade, com o coração perfeito, e fiz o que era bom aos teus olhos. E chorou Ezequias muitíssimo.” 2º Rs 20:2,3); enquanto Paulo anseia por ela (“Mas de ambos os lados estou em aperto, tendo desejo de partir, e estar com Cristo, porque isto é ainda muito melhor.” Fp 1:23).
São reações distintas, que me levaram a questionar se esta seria uma reação humana natural diante do desconhecido. Creio que não; pois a diferença está na revelação recebida por estas personagens.
Paulo tinha evidências de uma nova realidade espiritual, pois após a morte o que se espera não é mais o Sheol, e, sim, o estar na presença do próprio Senhor (cf. At 7:55; Fp 1:23). A razão para esta transição está no fato de que fomos comprados por amor (cf. 1ª Co 6;20; Ap 5:9; 1ª Pe 1:18-20). Esta é a distinção da compreensão destes homens diante do quadro da própria morte.
Ezequias vislumbra um amor, que perdoa através do ato constante de sacrificar. O que acentua a triste realidade do pecado. Enquanto que Paulo vislumbrava o amor que perdoa através de um ato único do sacrifício de Cristo (Hb 10:12-14 – resultado; Hb 10:19-22 – liberdade de estar na presença de Deus). Eu creio que esta visão tornou-se a responsável pela diferença entre eles.
Mas como reagimos ou reagiremos diante da nossa morte? Não sei, Ainda não morri! Sim, mas se você percebesse que está partindo agora, qual seria a sua reação?
Tudo depende da visão do sacrifício de Cristo!
“Se é somente para esta vida que temos esperança em Cristo, dentre todos os homens somos os mais dignos de compaixão” (1ª Co 15:19).


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